Carta número 4 - Leia antes de fechar o seu próximo diastema!
enviada 27/01/2026

Antes de tudo, um Feliz Ano Novo para você! Um pouco atrasado, né? 😀
Espero que 2026 seja ótimo para todos nós.

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Nesta carta, eu quero conversar com você sobre fechamento de diastema entre os dois incisivos centrais superiores.

Vou discutir alguns aspectos mais gerais e, futuramente, trarei considerações de ordem prática, possivelmente até com vídeo.

Primeiramente é bom ter em mente que, para algumas pessoas, o diastema superior interincisivo pode ser uma característica, até uma marca que elas fazem questão de manter, independentemente de serem famosas e/ou milionárias.

Mas de um modo geral, esse espaço não é bem aceito, e por isso pacientes nos procuram com queixa estética, em busca de uma solução.

Analise cuidadosamente, pois um diastema pode estar inserido em contextos completamente diferentes e exigirá condutas distintas.

Há aqueles espaços que devem ser fechados com ortodontia; outros que não podem ser fechados com aparelho, mas sim com acréscimos de material; os que podem ser fechados de uma forma ou de outra; e ainda os que precisam combinar ortodontia e dentística.

Perceba, então, que nem sempre o fechamento de diastema é uma questão de escolha.

Muita coisa deve ser levada em consideração: análise facial, presença ou ausência de overjet, inclinação vestíbulo-lingual dos incisivos superiores, tamanho do espaço a ser fechado, altura da crista óssea interproximal, anatomia e proporção largura/altura da coroa dos incisivos centrais, além da proporção entre os dentes anteriores, especialmente entre lateral e central.

Conversar com um ortodontista experiente é sempre bom.

Quando um paciente vem para uma consulta de avaliação, com essa queixa estética, eu gosto de fazer uma simulação. Faço um fechamento rápido, sem aderir de fato a resina composta aos dentes. Nesse momento, não dá para demorar muito, mas também não deve ser feito de qualquer jeito. É uma ótima forma de você definir para si mesmo o caminho a seguir. Pode testar inclusive a cor nesse momento. E não economize demais. Diastemas não consomem muito material. Eu costumo já usar a própria resina que tenho em mente usar quando for para valer.

Eu ainda fotografo com e sem a simulação, e o paciente, mais tarde, recebe o antes e o depois pelo Whatsapp – com um texto explicando que se trata de uma simulação, com o objetivo de auxiliar no planejamento do caso, e que as imagens não serão utilizadas pelo profissional, nem deverão ser divulgadas pelo próprio paciente.

Cuidado com os diastemas grandes! Acréscimos de material, nesses casos, não são favoráveis dos pontos de vista estético e biológico. Você pode acabar causando um sobrecontorno interproximal e, consequentemente, uma área de retenção de placa bacteriana, com prejuízo claro para o periodonto.

Além disso, o fechamento de um diastema grande pode causar uma desarmonia na proporção largura/altura dos incisivos centrais superiores. Essa proporção é um dos fatores importantes da estética do sorriso.

Neste vídeo, eu falo dessa proporção. Assista para entender! É só voltar aqui depois e clicar na imagem abaixo:

Dependendo do caso, pode ser melhor distribuir o espaço grande em espaços menores e, se possível (nem sempre é), peça à Ortodontia que transfira os diastemas para longe da linha média, por exemplo na distal dos incisivos laterais ou mesiais dos caninos.

No caso da imagem acima, um grande diastema foi redistribuído. Os acréscimos na linha média (mesial dos dois incisivos centrais) foram também considerados, uma vez que as suas faces mesiais estavam demasiadamente retas.


Diastemas pequenos são mais fáceis de fechar com resina composta, causam menor alteração do perfil de emergência proximal e, muitas vezes, não requerem estratificação.

Vamos a alguns pontos importantes para o fechamento de diastemas pequenos.


- Não subestime um espaço pequeno: ele pode ser trabalhoso para fechar.
- Enceramento diagnóstico e guia de silicone palatina são desnecessários.
- Faça tartarectomia prévia. Muito frequente encontrar cálculo nesses pequenos espaços. O ideal não é fazer isso no dia do fechamento, pois um possível sangramento pode atrapalhar o campo operatório (se for isolar absoluto, aí está tudo bem!).
- O esmalte deve estar adequadamente limpo. Uma boa profilaxia com pedra-pomes e água é mandatória. Se a escova não entrar no espaço interproximal, utilize uma tira de lixa de aço, mas com muito cuidado para não lesar a gengiva.
- Se for usar o isolamento relativo, coloque um fio afastador fino no sulco ou fita de teflon fina enrolada (também gosto do fio dental Pró Saúde, da Oral B).
- Estenda o condicionamento ácido além da área a ser restaurada, como margem de segurança, pois você não sabe exatamente onde terminará o material restaurador.

- No espaço interproximal, os pincéis microaplicadores podem não alcançar todo o esmalte condicionado. Tenha sempre um pincel fino para aplicar o adesivo nessas áreas de difícil acesso.

- Como normalmente temos apenas esmalte como substrato, dê preferência para adesivo puro (hidrofóbico). Se for utilizar qualquer adesivo simplificado, lembre-se sempre de evaporar bem os solventes antes da fotoativação.

- Havendo qualquer região de dentina exposta, faça o tratamento adequado para esse substrato. Nesse caso, o adesivo puro não é suficiente.
- Resinas de corpo (body) são ótimas para esses casos, pois possuem opacidade equilibrada (não tão opacas como dentina, não tão translúcidas como esmalte). Mas para diastema médio/grande, estratificar com massas de dentina e esmalte é preferível.

- Lâmina de bisturi 12 ao final, para remoção de excessos. Inicie o acabamento/polimento ainda com o isolamento. Isso ajuda a proteger os tecidos moles.
- Borrachas espirais têm acesso mais facilitado do que as borrachas convencionais.
- Lixas interproximais, se muito grossas, ou mal utilizadas, podem remover o contato criado.
- Não feche o diastema acompanhando todo o plano vestibular. Lembre-se da área de sombra proximal:

Espero que este conteúdo tenha sido útil para você.

Até a próxima carta.