Carta número 6 - 5 dicas fundamentais sobre como aplicar um adesivo
enviada 27/07/2026


Depois de um longo período sem aparecer por aqui com uma nova “Carta”, retorno para uma palavra importante sobre adesivos.
Acredito muito que esse conhecimento possa ajudar a melhorar a sua técnica operatória.
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Primeiramente, justifico a minha ausência por ter passado as últimas semanas estudando bastante para um processo seletivo. É que depois de mais de duas décadas de formado, resolvi desengavetar um sonho antigo (que surgiu ainda durante a faculdade) de tentar pela primeira vez ingressar no Mestrado. Sabe aquela história do “antes tarde do que nunca”? Foi isso.
Mas esse é um assunto para outra hora.
Eu quero agora te mostrar 5 procedimentos que você pode fazer (se é que já não faz) no momento de usar um sistema adesivo, e que podem melhorar a adesão.
São todos procedimentos que já foram investigados por trabalhos de pesquisa e que mostraram resultados positivos, seja para aumentar a resistência adesiva (tratando-se de estudo laboratorial), seja para aumentar a longevidade da restauração (quando se trata de estudo clínico).
Aplicação vigorosa (ativa) do adesivo sobre a dentina:
Essa manobra vale para qualquer adesivo simplificado, ou para qualquer primer de um sistema adesivo que não é simplificado. Além disso, a importância da aplicação vigorosa é somente para a dentina.
Aplicar vigorosamente significa esfregar o microbrush com força mesmo. Você deve fazer de forma enérgica. Muitas bulas não trazem essa recomendação. Uma aplicação passiva pode ser, com o conhecimento científico atual em adesão, considerada um erro.
Se você ficou com alguma dúvida sobre o que é simplificado e não simplificado, é o seguinte: qualquer marca de adesivo que tem o primer junto com o bond no mesmo frasco, é simplificado. Ou seja, todos os adesivos de 5ª geração (como o SingleBond 2, Excite, Prime&Bond 2.1, MagicBond DE) e qualquer Adesivo Universal. Ah, os de 7ª geração também são simplificados, mas eles estão em minoria no mercado. Um exemplo é o Palfique Bond.
Por consequência, os adesivos não simplificados são os de 4ª geração (como o Optibond FL) e os de 6ª geração (como o Clearfil SE Bond).
Aplicação do adesivo em múltiplas camadas
Atenção: essa manobra vale também somente para o primer de um sistema não simplificado ou para qualquer adesivo simplificado.
Você esfrega uma vez sobre toda a dentina por aproximadamente 20s. Depois pega mais um pouco com o microbrush e aplica uma segunda vez, também de forma ativa. Você não precisa pingar duas gotas.
Vou te explicar como eu faço: minha auxiliar pinga uma gota no casulo (eu tenho uma caixinha com a tampa na cor âmbar). Eu molho o microbrush na gota, faço uma primeira aplicação. Enquanto isso, a caixinha está tampada. Em seguida, eu aplico novamente, molhando novamente o microaplicador na mesma gota que estava protegida.
Mas cuidado: aplicar duas vezes não significa deixar excesso. Após a segunda aplicação, você remove todos os excessos, o que pode ser feito com um microbrush seco, por exemplo.
Condicionamento seletivo do esmalte
Você sabia que um adesivo autocondicionante pode ser usado sem nenhum ácido fosfórico, nem na dentina e nem no esmalte? Não está errado, mas também não é recomendado. A melhor forma de realizar o condicionamento do esmalte ainda é utilizando o ácido fosfórico a 37%. Portanto, se você estiver usando um adesivo autocondicionante clássico (6ª ou 7ª geração) ou qualquer Adesivo Universal, não deixe de condicionar o esmalte com o ácido fosfórico por 30s.
Aplicação de uma camada extra hidrofóbica
Principalmente quando se trata de Adesivos Universais (acredito que sejam os mais utilizados mundialmente na atualidade), a sua espessura de película é muito fina. Isso definitivamente não é bom.
Quando você aplica mais de uma camada (dica número 2) você aumenta um pouco essa espessura. Mas se você quiser melhorar ainda mais o cenário, após a utilização normal do adesivo, inclusive após a sua fotoativação, a aplicação de uma fina camada de bond (caso você tenha) ou de um pouquinho de resina flow ajuda a melhorar o desempenho do adesivo.
Se você utilizar essa manobra, evite aplicar essa camada extra sobre o esmalte. O importante é recobrir a dentina que foi anteriormente recoberta pelo adesivo.
Observação: se você já usa um adesivo não simplificado, essa dica não se aplica, pois de toda forma a camada superficial já será hidrofóbica.
Aumento do tempo de exposição (fotoativação):
Se você procurar na bula dos adesivos, vai perceber que os fabricantes sugerem um tempo de fotoativação do adesivo em torno de 10s ou 20s.
Esqueça isso! Está errado.
Fotoative por mais tempo. O tempo ideal vai depender de muitos fatores, como a irradiância do seu aparelho, da qualidade dele e também da distância da ponteira (de onde sai a luz) até a superfície do adesivo.
Suponha que você esteja fotoativando a vestibular de um dente anterior. Nesse caso, você praticamente consegue encostar a ponta do aparelho no adesivo. Quanto menor a distância, menos energia se perde no caminho.
Mas imagine a parede gengival profunda de uma classe II posterior. Essa distância pode facilmente ultrapassar os 6mm. Quanto mais distante a ponta do aparelho estiver do alvo, menos energia alcança o material. Nesses casos, o tempo de fotoativação precisa ser ainda maior.
Portanto, não há uma receita de bolo, pois eu não sei qual o seu aparelho e nem a distância. Mas se quiser diminuir as chances de erro, considere um tempo mínimo de 40s de fotoativação. Se a distância for grande, passe de 1min. Ah, e não use aparelhos de má procedência. Invista num bom fotoativador!
Espero que este conteúdo te ajude nos seus atendimentos.
Até a próxima carta.